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Entrevista Revista Portos e Navios-2006



Portos do futuro Editorial Tecnologia da informação tornou-se ferramenta fundamental para gestão das operações portuárias. Brasil está atrasado, mas evoluiu nos últimos anos Projetos portuários mais recentes já prevêem modernos sistemas de tecnologia da informação. Sistemas que geram dados, que geram informações, que geram análises de performance, que geram indicadores de desempenho, que geram relatórios gerenciais, projeções, e auxiliam aos gestores não só na simulação de cenários futuros como também na elaboração de um Planejamento estratégico coerente com o mercado. Cada elo desta cadeia tornou-se uma ferramenta indispensável na tomada de decisões em todos os setores da economia mundial. Nos portos não é diferente. A tecnologia da informação elimina etapas desnecessárias, aumenta produtividade, evita retrabalho e reduz custos, além de produzir um banco de informações que pode determinar o sucesso das operações no médio e longo prazo. Há uma distância, porém, do ideal para o real e os portos brasileiros ainda esbarram em entraves derivados da falta de informação, de comunicação e de integração entre os agentes envolvidos nos processos operacionais. Somente os terminais portuários privados, recentemente construídos, incluíram a premissa tecnologia da informação na execução de seus projetos. A maior parte dos portos ainda amarga a lentidão dos processos manuais e os erros decorrentes da falta de integração entre operadores, entidades e órgãos governamentais. Por parte das autoridades, o elo mais atualizado da cadeia é a Receita Federal, que possui sistemas de controle e verificação de cargas e processos. Porém, os dados sobre a movimentação de navios e cargas nos portos começaram a ser atualizados nos últimos dois anos, quando, em 2004, o Ministério dos Transportes precisou fazer um levantamento dos dados portuários para a elaboração da política estratégica. “Percebemos que Brasília simplesmente não tinha esses dados, pois eles não eram repassados online. A defasagem chegava a ser de até dois anos em alguns portos e precisávamos dessa radiografia para fazer o planejamento do setor”, conta Paulo de Tarso, diretor do Departamento de Programas de Transportes Aquaviários do MT. A partir de um amplo diagnóstico, o MT decidiu destinar parte dos recursos da Agenda Portos 2004 para a criação de uma rede digital nos portos, com objetivo de fornecer uma ferramenta de TI comum em toda a costa brasileira. Após analisar as necessidades do setor produtivo e conhecer todo o gerenciamento logístico das operações, incluindo as etapas da produção até o embarque, o MT contratou o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para elaboração de um estudo amplo do setor. Ao Serpro também coube a criação de um protótipo de sistema para a implantação de uma rede integrada de informação nos portos. Trata-se do Sisportos, cujo protótipo deverá ser entregue pelo Serpro até setembro próximo. Segundo Paulo de Tarso, o próximo passo é a elaboração do edital para a licitação da implementação do sistema, que deverá ser feita por uma empresa privada. A previsão é de que o Sisportos comece a ser testado nos portos brasileiros no ano que vem. Uma vez operacional, deverá funcionar como uma ferramenta de gestão, que não só permitirá a rastreabilidade online das cargas, como também a liberação eletrônica das mesmas. O passo seguinte é integrar o Sisportos aos demais sistemas existentes, interligando toda a cadeia, inclusive o setor produtivo. “A relação do porto com os agentes produtivos deve ser estreita para evitar morosidade nos processos e retrabalho. Tudo isso vai reduzir os custos do processo”, antevê Tarso, acrescentando que o Ministério firmou um convênio com a Agência de Desenvolvimento de Transportes dos Estados Unidos (USDA) para o fornecimento de um estudo sobre o fluxo de cargas entre os dois países. O trabalho está sendo desenvolvido em paralelo à elaboração do Sisportos. De olho no mercado. Para as empresas de informática que desenvolvem soluções de TI para o segmento portuário, o mercado é promissor. A visão de que há um longo caminho a ser percorrido é comum a todas. Muito já foi feito, mas tanto na esfera pública quanto na privada, ainda existe um universo de oportunidades. Num mercado competitivo como o comércio exterior, onde as margens de lucro na cadeia logística são cada vez menores, a redução de custos,operacionais passou a ser questão de ordem para garantir a sobrevivência. Por isso, o setor tem merecido uma atenção especial das empresas de informática especializadas na elaboração de softwares para o setor de transporte, movimentação e armazenagem de cargas. Diretor geral da Logocenter, do grupo Totvs, João Eduardo Silva Neto, confirma que as perspectivas de médio e longo prazo são boas, pois ainda existe um vasto mercado potencial. Entretanto, o desenvolvimento do mercado depende de uma mudança cultural, da conscientização de que a tecnologia, se bem empregada, se transforma em benefício. “Em algumas empresas nossa ênfase maior é no treinamento das pessoas. É quase uma gestão de mudança. Tanto o treinamento técnico quanto o comportamental acontecem no momento de desenho do projeto”, destaca João Eduardo, para quem os sistemas para serem eficazes devem apoiar a análise gerencial. “A análise dos indicadores de desempenho dá ao operador um grande mosaico de benefícios”, complementa o executivo da Logocenter, que desenvolveu um sistema denominado Logix que abriga softwares de gerenciamento de todas as etapas de um terminal portuário. Ainda que a passos lentos, o setor portuário vem passando por uma evolução na área de TI, o que, para Emerson Cançado, diretor da Arcadian, não deixa de ser uma quebra de paradigma. “Muitos terminais, em função da concorrência, precisam se modernizar. Caso contrário, serão atropelados pela concorrência. Esse é um caminho sem volta”, sentencia o empresário, lembrando que Santos já tem sinalizado alguns investimentos em TI. Cançado refere-se ao sistema Super Via, sistema para troca eletrônica de dados entre operadores, autoridades e outros agentes ligados ao controle dos processos nos terminais. O sistema é semelhante ao Sisportos, mas tem aplicação local. Embora otimista em relação ao mercado, Cançado afirma que o processo de modernização está acontecendo lentamente e de forma isolada, ou seja, a maior parte dos terminais utiliza sistemas caseiros ou planilhas de custo tradicionais. Eduardo Souza, diretor de planejamento da Aleff Sistemas corrobora. O executivo conta que a empresa analisa o mercado portuário há quatro anos e percebeu que os investimentos existiam, mas não havia uma visão voltada para tecnologia da informação. Como resultado, muitos terminais não conseguiam identificar seus gargalos e os pontos de maior custo na operação. “Os processos eram feitos manualmente, resultando em atrasos contínuos. Mas o mercado está acordando para a importância desses sistemas. Ainda existe um pouco de resistência, mas isso está mudando. A Aleff está crescendo 35% ao ano. Isso mostra que ainda há muito a ser feito nos portos”, observa Eduardo Souza. Atualmente, a Aleff trabalha com o TMS – Transportation Management System, sistema que permite visão antecipada de cada transporte, processo e ordem de serviço dentro de um terminal, incluindo até lavagem de contêineres. A idéia é dar uma noção de quanto o terminal poderá cobrar do seu cliente antes mesmo dele realizar a operação. Além da necessidade de investimentos em TI, algumas exigências têm impulsionado investimentos em tecnologia da informação nos portos, como o ISPS Code, da International Maritime Organization (IMO). A obrigatoriedade vai contribuir para o aumento do nível de informatização nos terminais e, portanto, movimentar o mercado de fornecimento de soluções em informática. “Acreditamos no potencial desse mercado. O crescimento do comércio exterior demanda investimentos em novos terminais, que estão nascendo com essa preocupação. Hoje, as empresas têm a tecnologia da informação como premissa em todos os investimentos”, acrescenta o diretor da Arcadian, que atua no setor desde 1997. Segundo Cançado, atualmente, 20% da movimentação de granéis sólidos em terminais brasileiros operam com algum sistema da Arcadian. A empresa oferece os sistemas Portos, Targa e Previne, que juntos controlam todos os serviços prestados pelo terminal, disponibilizam os documentos eletronicamente e fazem interface com os sistemas legais. Desafios. Embora os portos tenham a movimentação de cargas como atividade comum, o mercado de TI no setor ainda está concentrado no setor privado, que demandam soluções cada vez mais customizadas, desenhadas de acordo com as especificidades de suas operações. Por isso, Emerson Cançado acredita que há mercado para todos. “Existem muitas empresas de informática e muitos potenciais clientes, mas a concorrência está equilibrada. O segredo é desenvolver projetos junto com o cliente”, argumenta o diretor da Arcadian. A afirmação de Cançado é quase uma máxima entre os diretores das empresas. O diretor de planejamento da Aleff explica que no mercado de sistemas para terminais portuários o produto tem que ser desenvolvido em conjunto com o cliente, pois cada carga, cada movimentação tem sua peculiaridade. “Costumamos dizer que fazemos o projeto e o software vai de brinde”, brinca Eduardo Souza, acrescentando que soluções prontas como o SAP, por exemplo, são eficazes nas indústrias, mas não atendem às necessidades do setor de portos e armazenagem. Engenheiro de computação responsável pelo desenvolvimento do PCS.net – Port Control System, da PortControl, Paulo Renato Alves, reforça as afirmações de Cançado e Souza e vai além. O técnico explica que existem muitos sistemas no mercado, mas cada um tem uma finalidade. Alguns tratam apenas de segurança, outros de controle de acesso de pessoas, há os que atendem apenas ao ISPS Code, etc. O grande desafio, propõe Renato, é a integração entre os sistemas. “A troca de documentos deveria se dar sempre eletronicamente, mas ainda não existe esse controle em todos os portos. Assim, não é fácil relacionar os sistemas a todas as instituições envolvidas no porto, o que está, inclusive, previsto no ISPS Code. Hoje, cada instituição tem seu próprio sistema e não há sincronia entre as informações. É comum um órgão liberar uma carga e outro interditar”, salienta Paulo Renato. A afirmação do engenheiro é outro aspecto comum à análise das empresas da área de tecnologia da informação. João Eduardo, da Logocenter, afirma que é preciso envolver as autoridades nos projetos. Não é à toa que todos os programas desenvolvidos pela Arcadian, Logocenter, PortControl, Aleff e Navsoft têm as interfaces legais necessárias para o envio de informações exigidas pelas autoridades, principalmente a Receita Federal, instituição mais avançada tecnologicamente entre as autoridades presentes nos portos. “O problema é que nem todos os órgãos têm sistemas”, frisa Mauro Marder, superintendente do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), que embora tenha obtido resultados positivos com seus sistemas ainda sofre com a falta de integração eletrônica com as autoridades. “O ideal é que houvesse um sistema único de informação, que eliminaria etapas, papel e retrabalhos”, complementa Marder, para quem o Sisportos representará um avanço, mas não vai descartar a necessidade dos terminais investirem em seus próprios sistemas operacionais. O diretor do Departamento de Transportes Aquaviários do Ministério dos Transportes informa que a integração entre autoridades e operadores portuários está previsto na fase seguinte à implementação do Sisportos. Para oferecer algo exclusivamente voltado para a integração, a PortControl desenvolveu o PSC.Net, sistema baseado no padrão de internet que suporta todos os demais programas do mercado (compatíveis com web), inclusive o Vessel Traffic System (VTS) e o AIS (Automatic Identification System). O software, de acordo com Paulo Renato, gera soluções ótimas e permite visualização dos controles por todos os agentes envolvidos nas operações. O sistema também faz simulações, pois recebe as informações no servidor e compara o que é esperado com o que está sendo feito. Certificado pela Microsoft, o PSC.Net não substitui os demais softwares existentes, apenas os integra. De acordo com Paulo Renato, o produto começou a ser desenvolvido há cinco anos, foi testado no porto de Salvador e agora está pronto para ser comercializado. Entretanto, o sistema será oferecido gratuitamente para as companhias docas, Capitania dos Portos e agências marítimas. O objetivo da agressiva estratégia comercial é inibir a concorrência e atrair clientes privados. Comprovação. O depoimento dos terminais que investiram em tecnologia comprova os benefícios gerados pelos sistemas de gerenciamento operacional. Segundo Mauro Marder, as informações geradas pelo sistema aceleram a tomada de decisões, que pode ser feita de forma mais precisa. A cada entrada de carga o sistema gera um plano de posicionamento na retroárea, de forma a otimizar o processo, definindo plano de estiva, altura ótima para os contêineres, etc. As projeções para os eventos seguintes aumentam a produtividade e alimentam o planejamento anual feito pelo Terminal de Contêineres de Barcelona, sócio do TCP. Com as análises dos indicadores resultantes é possível até planejar investimentos. Isso porque, de acordo com o superintendente do TCP, os dados coletados oferecem uma simulação dos anos posteriores. Com os dados gerados pelo sistema é possível compor uma média anual a partir da projeção de cargas sazonais, de performance dos equipamentos, da utilização dos espaços, recursos materiais e humanos, etc. “Tudo é resultado do acompanhamento feito no dia-a-dia. A idéia é sempre ter a melhor utilização possível da retroárea, pois não adianta movimentar 50 contêineres por hora se a retroárea não está sendo bem gerenciada”, receita Marder. O sistema implantado no TCP é uma adaptação do programa utilizado pelo terminal sócio em Barcelona e tem três etapas de inserção de informações: entrada e saída dos portões; conferência a partir da comparação com lista de carga enviada pelo armador e pré-estivagem, entre outros. “Cada controle gera um mundo de informações e dados, tanto de performance, como de desempenho dos equipamentos, planos de equipe, de carga, produtividade, etc.”, completa o superintendente do TCP. O Tecon Rio Grande também investiu fortemente em hardware e software. Em 1998, implementou um sistema moderno de planejamento de pátio/navio denominado Sparcs, da empresa norte-americana Navis. No ano seguinte, implantou o Sistema de Controle Operacional e Logístico (Scol), sistema que juntamente com o Sparcs/Navis suporta todas as atividades operacionais da empresa. O investimento agregou valor aos serviços prestados pelo terminal, que disponibiliza para seus clientes um site business-to-business que é permanentemente alimentado com as informações do Scol de forma segura e rápida. Antes do Scol, o terminal operava com uma série de sistemas menores que faziam interface com a operação, criando gargalos no fluxo da informação. A redução de custo veio com a operação em tempo real ponta-a-ponta em todo o processo desde a operação efetiva do contêiner até a informação para o faturamento. O sistema também viabilizou a publicação de relatórios dinâmicos na internet, o que reduziu custos de comunicação tanto para o Tecon quanto para o cliente. Controle no mar. Além dos sistemas de gerenciamento nos portos, existem os sistemas de controle do tráfego marítimo. Nessa área, o Brasil não está atrás dos países desenvolvidos. As praticagens brasileiras foram as primeiras entidades a investir no acompanhamento automatizado do tráfego com o uso do AIS (Automatic Identification System). Este equipamento, obrigatório para a maioria dos navios, principalmente os que navegam no tráfego internacional, tem se mostrado mais eficiente e econômico que o radar, embora não o substitua. O radar ainda é a principal ferramenta para atendimento ao ISPS Code. O AIS pode ser integrado ao sistema VTS (Vessel Traffic Service), utilizado em vários portos para monitoramento da movimentação de navios. Representante da Transas Marine USA, Seatex e McMurdo no Brasil, a Navsoft precisou conscientizar o mercado sobre a importância do AIS. “O início foi muito difícil. Precisávamos informar ao mercado qual a utilidade do AIS para que houvesse a disposição para o investimento. Ninguém compra o que não conhece. O custo das soluções integradas é muito menor do que os “pacotes” atualmente oferecidos por um único fabricante. Foi com esta visão que ingressamos no mercado: oferecendo o melhor produto pelo menor preço”, conta Marcos Silveira, diretor da empresa. A primeira praticagem a investir em uma solução com AIS foi a de Paranaguá. A reboque vieram Santos (SP), Vitória (ES), Rio Grande (RG), Belém (PA), São Luis (MA), Salvador (BA), Fortaleza (CE), São Francisco do Sul (SC) e Maceió (AL). Todas buscando a precisão das informações para redução do custo operacional. Quando uma embarcação informa sua “previsão de chegada” em determinado porto, diversos serviços estão envolvidos em seu atendimento, como rebocadores, estiva, fornecedores, etc. “Saber o horário exato de chegada reduz o custo da espera”, acrescenta o diretor da Navsoft, que também comercializa o VTS. Expoportos Evento comemora resultados. AExpoportos 2006 obteve resultados positivos em sua terceira edição. Durante os três dias do evento, os setores logístico e de comércio exterior estiveram presentes no Pavilhão de Carapina, na Serra (ES). Segundo os organizadores os resultados superaram os anos anteriores. Empresários e profissionais de várias partes do país apresentaram soluções operacionais, financeiras, tributárias e fiscais, além das melhores práticas de gestão de comércio e logística internacional, durante as palestras realizadas paralelamente à feira. Na solenidade de abertura, o governador Paulo Hartung lançou oficialmente o Selo Comemorativo aos 100 anos do porto de Vitória. Dentre as autoridades presentes estavam, entre outros, o ministro do Supremo Tribunal Trabalhista Federal, Gelson de Azevedo; o prefeito de Vitória, João Coser; e o presidente da Companhia Docas do Estado do Espírito Santo (Codesa), Henrique Germano Zimmer. No último dia do evento, uma mesa redonda formada por representantes da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Espírito Santo (Transcares) e da Associação das Empresas de Comércio Internacional (Aeci) fecharam o ciclo de palestras da Feira. Durante a apresentação, os representantes dos diversos modais logísticos do Espírito Santo fizeram um balanço do evento e debateram o tema “A macrologística capixaba no contexto do plano de desenvolvimento do Espírito Santo 2025 – Uma visão de conjunto”. A Feira foi realizada pela Rota Eventos em parceria com a Codesa e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur). Por Portos e Navios Portos do futuro1/9/2006 Portos do futuro Editorial Tecnologia da informação tornou-se ferramenta fundamental para gestão das operações portuárias. Brasil está atrasado, mas evoluiu nos últimos anos Projetos portuários mais recentes já prevêem modernos sistemas de tecnologia da informação. Sistemas que geram dados, que geram informações, que geram análises de performance, que geram indicadores de desempenho, que geram relatórios gerenciais, projeções, e auxiliam aos gestores não só na simulação de cenários futuros como também na elaboração de um Planejamento estratégico coerente com o mercado. Cada elo desta cadeia tornou-se uma ferramenta indispensável na tomada de decisões em todos os setores da economia mundial. Nos portos não é diferente. A tecnologia da informação elimina etapas desnecessárias, aumenta produtividade, evita retrabalho e reduz custos, além de produzir um banco de informações que pode determinar o sucesso das operações no médio e longo prazo. Há uma distância, porém, do ideal para o real e os portos brasileiros ainda esbarram em entraves derivados da falta de informação, de comunicação e de integração entre os agentes envolvidos nos processos operacionais. Somente os terminais portuários privados, recentemente construídos, incluíram a premissa tecnologia da informação na execução de seus projetos. A maior parte dos portos ainda amarga a lentidão dos processos manuais e os erros decorrentes da falta de integração entre operadores, entidades e órgãos governamentais. Por parte das autoridades, o elo mais atualizado da cadeia é a Receita Federal, que possui sistemas de controle e verificação de cargas e processos. Porém, os dados sobre a movimentação de navios e cargas nos portos começaram a ser atualizados nos últimos dois anos, quando, em 2004, o Ministério dos Transportes precisou fazer um levantamento dos dados portuários para a elaboração da política estratégica. “Percebemos que Brasília simplesmente não tinha esses dados, pois eles não eram repassados online. A defasagem chegava a ser de até dois anos em alguns portos e precisávamos dessa radiografia para fazer o planejamento do setor”, conta Paulo de Tarso, diretor do Departamento de Programas de Transportes Aquaviários do MT. A partir de um amplo diagnóstico, o MT decidiu destinar parte dos recursos da Agenda Portos 2004 para a criação de uma rede digital nos portos, com objetivo de fornecer uma ferramenta de TI comum em toda a costa brasileira. Após analisar as necessidades do setor produtivo e conhecer todo o gerenciamento logístico das operações, incluindo as etapas da produção até o embarque, o MT contratou o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para elaboração de um estudo amplo do setor. Ao Serpro também coube a criação de um protótipo de sistema para a implantação de uma rede integrada de informação nos portos. Trata-se do Sisportos, cujo protótipo deverá ser entregue pelo Serpro até setembro próximo. Segundo Paulo de Tarso, o próximo passo é a elaboração do edital para a licitação da implementação do sistema, que deverá ser feita por uma empresa privada. A previsão é de que o Sisportos comece a ser testado nos portos brasileiros no ano que vem. Uma vez operacional, deverá funcionar como uma ferramenta de gestão, que não só permitirá a rastreabilidade online das cargas, como também a liberação eletrônica das mesmas. O passo seguinte é integrar o Sisportos aos demais sistemas existentes, interligando toda a cadeia, inclusive o setor produtivo. “A relação do porto com os agentes produtivos deve ser estreita para evitar morosidade nos processos e retrabalho. Tudo isso vai reduzir os custos do processo”, antevê Tarso, acrescentando que o Ministério firmou um convênio com a Agência de Desenvolvimento de Transportes dos Estados Unidos (USDA) para o fornecimento de um estudo sobre o fluxo de cargas entre os dois países. O trabalho está sendo desenvolvido em paralelo à elaboração do Sisportos. De olho no mercado. Para as empresas de informática que desenvolvem soluções de TI para o segmento portuário, o mercado é promissor. A visão de que há um longo caminho a ser percorrido é comum a todas. Muito já foi feito, mas tanto na esfera pública quanto na privada, ainda existe um universo de oportunidades. Num mercado competitivo como o comércio exterior, onde as margens de lucro na cadeia logística são cada vez menores, a redução de custos,operacionais passou a ser questão de ordem para garantir a sobrevivência. Por isso, o setor tem merecido uma atenção especial das empresas de informática especializadas na elaboração de softwares para o setor de transporte, movimentação e armazenagem de cargas. Diretor geral da Logocenter, do grupo Totvs, João Eduardo Silva Neto, confirma que as perspectivas de médio e longo prazo são boas, pois ainda existe um vasto mercado potencial. Entretanto, o desenvolvimento do mercado depende de uma mudança cultural, da conscientização de que a tecnologia, se bem empregada, se transforma em benefício. “Em algumas empresas nossa ênfase maior é no treinamento das pessoas. É quase uma gestão de mudança. Tanto o treinamento técnico quanto o comportamental acontecem no momento de desenho do projeto”, destaca João Eduardo, para quem os sistemas para serem eficazes devem apoiar a análise gerencial. “A análise dos indicadores de desempenho dá ao operador um grande mosaico de benefícios”, complementa o executivo da Logocenter, que desenvolveu um sistema denominado Logix que abriga softwares de gerenciamento de todas as etapas de um terminal portuário. Ainda que a passos lentos, o setor portuário vem passando por uma evolução na área de TI, o que, para Emerson Cançado, diretor da Arcadian, não deixa de ser uma quebra de paradigma. “Muitos terminais, em função da concorrência, precisam se modernizar. Caso contrário, serão atropelados pela concorrência. Esse é um caminho sem volta”, sentencia o empresário, lembrando que Santos já tem sinalizado alguns investimentos em TI. Cançado refere-se ao sistema Super Via, sistema para troca eletrônica de dados entre operadores, autoridades e outros agentes ligados ao controle dos processos nos terminais. O sistema é semelhante ao Sisportos, mas tem aplicação local. Embora otimista em relação ao mercado, Cançado afirma que o processo de modernização está acontecendo lentamente e de forma isolada, ou seja, a maior parte dos terminais utiliza sistemas caseiros ou planilhas de custo tradicionais. Eduardo Souza, diretor de planejamento da Aleff Sistemas corrobora. O executivo conta que a empresa analisa o mercado portuário há quatro anos e percebeu que os investimentos existiam, mas não havia uma visão voltada para tecnologia da informação. Como resultado, muitos terminais não conseguiam identificar seus gargalos e os pontos de maior custo na operação. “Os processos eram feitos manualmente, resultando em atrasos contínuos. Mas o mercado está acordando para a importância desses sistemas. Ainda existe um pouco de resistência, mas isso está mudando. A Aleff está crescendo 35% ao ano. Isso mostra que ainda há muito a ser feito nos portos”, observa Eduardo Souza. Atualmente, a Aleff trabalha com o TMS – Transportation Management System, sistema que permite visão antecipada de cada transporte, processo e ordem de serviço dentro de um terminal, incluindo até lavagem de contêineres. A idéia é dar uma noção de quanto o terminal poderá cobrar do seu cliente antes mesmo dele realizar a operação. Além da necessidade de investimentos em TI, algumas exigências têm impulsionado investimentos em tecnologia da informação nos portos, como o ISPS Code, da International Maritime Organization (IMO). A obrigatoriedade vai contribuir para o aumento do nível de informatização nos terminais e, portanto, movimentar o mercado de fornecimento de soluções em informática. “Acreditamos no potencial desse mercado. O crescimento do comércio exterior demanda investimentos em novos terminais, que estão nascendo com essa preocupação. Hoje, as empresas têm a tecnologia da informação como premissa em todos os investimentos”, acrescenta o diretor da Arcadian, que atua no setor desde 1997. Segundo Cançado, atualmente, 20% da movimentação de granéis sólidos em terminais brasileiros operam com algum sistema da Arcadian. A empresa oferece os sistemas Portos, Targa e Previne, que juntos controlam todos os serviços prestados pelo terminal, disponibilizam os documentos eletronicamente e fazem interface com os sistemas legais. Desafios. Embora os portos tenham a movimentação de cargas como atividade comum, o mercado de TI no setor ainda está concentrado no setor privado, que demandam soluções cada vez mais customizadas, desenhadas de acordo com as especificidades de suas operações. Por isso, Emerson Cançado acredita que há mercado para todos. “Existem muitas empresas de informática e muitos potenciais clientes, mas a concorrência está equilibrada. O segredo é desenvolver projetos junto com o cliente”, argumenta o diretor da Arcadian. A afirmação de Cançado é quase uma máxima entre os diretores das empresas. O diretor de planejamento da Aleff explica que no mercado de sistemas para terminais portuários o produto tem que ser desenvolvido em conjunto com o cliente, pois cada carga, cada movimentação tem sua peculiaridade. “Costumamos dizer que fazemos o projeto e o software vai de brinde”, brinca Eduardo Souza, acrescentando que soluções prontas como o SAP, por exemplo, são eficazes nas indústrias, mas não atendem às necessidades do setor de portos e armazenagem. Engenheiro de computação responsável pelo desenvolvimento do PCS.net – Port Control System, da PortControl, Paulo Renato Alves, reforça as afirmações de Cançado e Souza e vai além. O técnico explica que existem muitos sistemas no mercado, mas cada um tem uma finalidade. Alguns tratam apenas de segurança, outros de controle de acesso de pessoas, há os que atendem apenas ao ISPS Code, etc. O grande desafio, propõe Renato, é a integração entre os sistemas. “A troca de documentos deveria se dar sempre eletronicamente, mas ainda não existe esse controle em todos os portos. Assim, não é fácil relacionar os sistemas a todas as instituições envolvidas no porto, o que está, inclusive, previsto no ISPS Code. Hoje, cada instituição tem seu próprio sistema e não há sincronia entre as informações. É comum um órgão liberar uma carga e outro interditar”, salienta Paulo Renato. A afirmação do engenheiro é outro aspecto comum à análise das empresas da área de tecnologia da informação. João Eduardo, da Logocenter, afirma que é preciso envolver as autoridades nos projetos. Não é à toa que todos os programas desenvolvidos pela Arcadian, Logocenter, PortControl, Aleff e Navsoft têm as interfaces legais necessárias para o envio de informações exigidas pelas autoridades, principalmente a Receita Federal, instituição mais avançada tecnologicamente entre as autoridades presentes nos portos. “O problema é que nem todos os órgãos têm sistemas”, frisa Mauro Marder, superintendente do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), que embora tenha obtido resultados positivos com seus sistemas ainda sofre com a falta de integração eletrônica com as autoridades. “O ideal é que houvesse um sistema único de informação, que eliminaria etapas, papel e retrabalhos”, complementa Marder, para quem o Sisportos representará um avanço, mas não vai descartar a necessidade dos terminais investirem em seus próprios sistemas operacionais. O diretor do Departamento de Transportes Aquaviários do Ministério dos Transportes informa que a integração entre autoridades e operadores portuários está previsto na fase seguinte à implementação do Sisportos. Para oferecer algo exclusivamente voltado para a integração, a PortControl desenvolveu o PSC.Net, sistema baseado no padrão de internet que suporta todos os demais programas do mercado (compatíveis com web), inclusive o Vessel Traffic System (VTS) e o AIS (Automatic Identification System). O software, de acordo com Paulo Renato, gera soluções ótimas e permite visualização dos controles por todos os agentes envolvidos nas operações. O sistema também faz simulações, pois recebe as informações no servidor e compara o que é esperado com o que está sendo feito. Certificado pela Microsoft, o PSC.Net não substitui os demais softwares existentes, apenas os integra. De acordo com Paulo Renato, o produto começou a ser desenvolvido há cinco anos, foi testado no porto de Salvador e agora está pronto para ser comercializado. Entretanto, o sistema será oferecido gratuitamente para as companhias docas, Capitania dos Portos e agências marítimas. O objetivo da agressiva estratégia comercial é inibir a concorrência e atrair clientes privados. Comprovação. O depoimento dos terminais que investiram em tecnologia comprova os benefícios gerados pelos sistemas de gerenciamento operacional. Segundo Mauro Marder, as informações geradas pelo sistema aceleram a tomada de decisões, que pode ser feita de forma mais precisa. A cada entrada de carga o sistema gera um plano de posicionamento na retroárea, de forma a otimizar o processo, definindo plano de estiva, altura ótima para os contêineres, etc. As projeções para os eventos seguintes aumentam a produtividade e alimentam o planejamento anual feito pelo Terminal de Contêineres de Barcelona, sócio do TCP. Com as análises dos indicadores resultantes é possível até planejar investimentos. Isso porque, de acordo com o superintendente do TCP, os dados coletados oferecem uma simulação dos anos posteriores. Com os dados gerados pelo sistema é possível compor uma média anual a partir da projeção de cargas sazonais, de performance dos equipamentos, da utilização dos espaços, recursos materiais e humanos, etc. “Tudo é resultado do acompanhamento feito no dia-a-dia. A idéia é sempre ter a melhor utilização possível da retroárea, pois não adianta movimentar 50 contêineres por hora se a retroárea não está sendo bem gerenciada”, receita Marder. O sistema implantado no TCP é uma adaptação do programa utilizado pelo terminal sócio em Barcelona e tem três etapas de inserção de informações: entrada e saída dos portões; conferência a partir da comparação com lista de carga enviada pelo armador e pré-estivagem, entre outros. “Cada controle gera um mundo de informações e dados, tanto de performance, como de desempenho dos equipamentos, planos de equipe, de carga, produtividade, etc.”, completa o superintendente do TCP. O Tecon Rio Grande também investiu fortemente em hardware e software. Em 1998, implementou um sistema moderno de planejamento de pátio/navio denominado Sparcs, da empresa norte-americana Navis. No ano seguinte, implantou o Sistema de Controle Operacional e Logístico (Scol), sistema que juntamente com o Sparcs/Navis suporta todas as atividades operacionais da empresa. O investimento agregou valor aos serviços prestados pelo terminal, que disponibiliza para seus clientes um site business-to-business que é permanentemente alimentado com as informações do Scol de forma segura e rápida. Antes do Scol, o terminal operava com uma série de sistemas menores que faziam interface com a operação, criando gargalos no fluxo da informação. A redução de custo veio com a operação em tempo real ponta-a-ponta em todo o processo desde a operação efetiva do contêiner até a informação para o faturamento. O sistema também viabilizou a publicação de relatórios dinâmicos na internet, o que reduziu custos de comunicação tanto para o Tecon quanto para o cliente. Controle no mar. Além dos sistemas de gerenciamento nos portos, existem os sistemas de controle do tráfego marítimo. Nessa área, o Brasil não está atrás dos países desenvolvidos. As praticagens brasileiras foram as primeiras entidades a investir no acompanhamento automatizado do tráfego com o uso do AIS (Automatic Identification System). Este equipamento, obrigatório para a maioria dos navios, principalmente os que navegam no tráfego internacional, tem se mostrado mais eficiente e econômico que o radar, embora não o substitua. O radar ainda é a principal ferramenta para atendimento ao ISPS Code. O AIS pode ser integrado ao sistema VTS (Vessel Traffic Service), utilizado em vários portos para monitoramento da movimentação de navios. Representante da Transas Marine USA, Seatex e McMurdo no Brasil, a Navsoft precisou conscientizar o mercado sobre a importância do AIS. “O início foi muito difícil. Precisávamos informar ao mercado qual a utilidade do AIS para que houvesse a disposição para o investimento. Ninguém compra o que não conhece. O custo das soluções integradas é muito menor do que os “pacotes” atualmente oferecidos por um único fabricante. Foi com esta visão que ingressamos no mercado: oferecendo o melhor produto pelo menor preço”, conta Marcos Silveira, diretor da empresa. A primeira praticagem a investir em uma solução com AIS foi a de Paranaguá. A reboque vieram Santos (SP), Vitória (ES), Rio Grande (RG), Belém (PA), São Luis (MA), Salvador (BA), Fortaleza (CE), São Francisco do Sul (SC) e Maceió (AL). Todas buscando a precisão das informações para redução do custo operacional. Quando uma embarcação informa sua “previsão de chegada” em determinado porto, diversos serviços estão envolvidos em seu atendimento, como rebocadores, estiva, fornecedores, etc. “Saber o horário exato de chegada reduz o custo da espera”, acrescenta o diretor da Navsoft, que também comercializa o VTS. Expoportos Evento comemora resultados. AExpoportos 2006 obteve resultados positivos em sua terceira edição. Durante os três dias do evento, os setores logístico e de comércio exterior estiveram presentes no Pavilhão de Carapina, na Serra (ES). Segundo os organizadores os resultados superaram os anos anteriores. Empresários e profissionais de várias partes do país apresentaram soluções operacionais, financeiras, tributárias e fiscais, além das melhores práticas de gestão de comércio e logística internacional, durante as palestras realizadas paralelamente à feira. Na solenidade de abertura, o governador Paulo Hartung lançou oficialmente o Selo Comemorativo aos 100 anos do porto de Vitória. Dentre as autoridades presentes estavam, entre outros, o ministro do Supremo Tribunal Trabalhista Federal, Gelson de Azevedo; o prefeito de Vitória, João Coser; e o presidente da Companhia Docas do Estado do Espírito Santo (Codesa), Henrique Germano Zimmer. No último dia do evento, uma mesa redonda formada por representantes da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Espírito Santo (Transcares) e da Associação das Empresas de Comércio Internacional (Aeci) fecharam o ciclo de palestras da Feira. Durante a apresentação, os representantes dos diversos modais logísticos do Espírito Santo fizeram um balanço do evento e debateram o tema “A macrologística capixaba no contexto do plano de desenvolvimento do Espírito Santo 2025 – Uma visão de conjunto”. A Feira foi realizada pela Rota Eventos em parceria com a Codesa e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur). Por Portos e Navios Editorial Tecnologia da informação tornou-se ferramenta fundamental para gestão das operações portuárias. Brasil está atrasado, mas evoluiu nos últimos anos Projetos portuários mais recentes já prevêem modernos sistemas de tecnologia da informação. Sistemas que geram dados, que geram informações, que geram análises de performance, que geram indicadores de desempenho, que geram relatórios gerenciais, projeções, e auxiliam aos gestores não só na simulação de cenários futuros como também na elaboração de um Planejamento estratégico coerente com o mercado. Cada elo desta cadeia tornou-se uma ferramenta indispensável na tomada de decisões em todos os setores da economia mundial. Nos portos não é diferente. A tecnologia da informação elimina etapas desnecessárias, aumenta produtividade, evita retrabalho e reduz custos, além de produzir um banco de informações que pode determinar o sucesso das operações no médio e longo prazo. Há uma distância, porém, do ideal para o real e os portos brasileiros ainda esbarram em entraves derivados da falta de informação, de comunicação e de integração entre os agentes envolvidos nos processos operacionais. Somente os terminais portuários privados, recentemente construídos, incluíram a premissa tecnologia da informação na execução de seus projetos. A maior parte dos portos ainda amarga a lentidão dos processos manuais e os erros decorrentes da falta de integração entre operadores, entidades e órgãos governamentais. Por parte das autoridades, o elo mais atualizado da cadeia é a Receita Federal, que possui sistemas de controle e verificação de cargas e processos. Porém, os dados sobre a movimentação de navios e cargas nos portos começaram a ser atualizados nos últimos dois anos, quando, em 2004, o Ministério dos Transportes precisou fazer um levantamento dos dados portuários para a elaboração da política estratégica. “Percebemos que Brasília simplesmente não tinha esses dados, pois eles não eram repassados online. A defasagem chegava a ser de até dois anos em alguns portos e precisávamos dessa radiografia para fazer o planejamento do setor”, conta Paulo de Tarso, diretor do Departamento de Programas de Transportes Aquaviários do MT. A partir de um amplo diagnóstico, o MT decidiu destinar parte dos recursos da Agenda Portos 2004 para a criação de uma rede digital nos portos, com objetivo de fornecer uma ferramenta de TI comum em toda a costa brasileira. Após analisar as necessidades do setor produtivo e conhecer todo o gerenciamento logístico das operações, incluindo as etapas da produção até o embarque, o MT contratou o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para elaboração de um estudo amplo do setor. Ao Serpro também coube a criação de um protótipo de sistema para a implantação de uma rede integrada de informação nos portos. Trata-se do Sisportos, cujo protótipo deverá ser entregue pelo Serpro até setembro próximo. Segundo Paulo de Tarso, o próximo passo é a elaboração do edital para a licitação da implementação do sistema, que deverá ser feita por uma empresa privada. A previsão é de que o Sisportos comece a ser testado nos portos brasileiros no ano que vem. Uma vez operacional, deverá funcionar como uma ferramenta de gestão, que não só permitirá a rastreabilidade online das cargas, como também a liberação eletrônica das mesmas. O passo seguinte é integrar o Sisportos aos demais sistemas existentes, interligando toda a cadeia, inclusive o setor produtivo. “A relação do porto com os agentes produtivos deve ser estreita para evitar morosidade nos processos e retrabalho. Tudo isso vai reduzir os custos do processo”, antevê Tarso, acrescentando que o Ministério firmou um convênio com a Agência de Desenvolvimento de Transportes dos Estados Unidos (USDA) para o fornecimento de um estudo sobre o fluxo de cargas entre os dois países. O trabalho está sendo desenvolvido em paralelo à elaboração do Sisportos. De olho no mercado. Para as empresas de informática que desenvolvem soluções de TI para o segmento portuário, o mercado é promissor. A visão de que há um longo caminho a ser percorrido é comum a todas. Muito já foi feito, mas tanto na esfera pública quanto na privada, ainda existe um universo de oportunidades. Num mercado competitivo como o comércio exterior, onde as margens de lucro na cadeia logística são cada vez menores, a redução de custos,operacionais passou a ser questão de ordem para garantir a sobrevivência. Por isso, o setor tem merecido uma atenção especial das empresas de informática especializadas na elaboração de softwares para o setor de transporte, movimentação e armazenagem de cargas. Diretor geral da Logocenter, do grupo Totvs, João Eduardo Silva Neto, confirma que as perspectivas de médio e longo prazo são boas, pois ainda existe um vasto mercado potencial. Entretanto, o desenvolvimento do mercado depende de uma mudança cultural, da conscientização de que a tecnologia, se bem empregada, se transforma em benefício. “Em algumas empresas nossa ênfase maior é no treinamento das pessoas. É quase uma gestão de mudança. Tanto o treinamento técnico quanto o comportamental acontecem no momento de desenho do projeto”, destaca João Eduardo, para quem os sistemas para serem eficazes devem apoiar a análise gerencial. “A análise dos indicadores de desempenho dá ao operador um grande mosaico de benefícios”, complementa o executivo da Logocenter, que desenvolveu um sistema denominado Logix que abriga softwares de gerenciamento de todas as etapas de um terminal portuário. Ainda que a passos lentos, o setor portuário vem passando por uma evolução na área de TI, o que, para Emerson Cançado, diretor da Arcadian, não deixa de ser uma quebra de paradigma. “Muitos terminais, em função da concorrência, precisam se modernizar. Caso contrário, serão atropelados pela concorrência. Esse é um caminho sem volta”, sentencia o empresário, lembrando que Santos já tem sinalizado alguns investimentos em TI. Cançado refere-se ao sistema Super Via, sistema para troca eletrônica de dados entre operadores, autoridades e outros agentes ligados ao controle dos processos nos terminais. O sistema é semelhante ao Sisportos, mas tem aplicação local. Embora otimista em relação ao mercado, Cançado afirma que o processo de modernização está acontecendo lentamente e de forma isolada, ou seja, a maior parte dos terminais utiliza sistemas caseiros ou planilhas de custo tradicionais. Eduardo Souza, diretor de planejamento da Aleff Sistemas corrobora. O executivo conta que a empresa analisa o mercado portuário há quatro anos e percebeu que os investimentos existiam, mas não havia uma visão voltada para tecnologia da informação. Como resultado, muitos terminais não conseguiam identificar seus gargalos e os pontos de maior custo na operação. “Os processos eram feitos manualmente, resultando em atrasos contínuos. Mas o mercado está acordando para a importância desses sistemas. Ainda existe um pouco de resistência, mas isso está mudando. A Aleff está crescendo 35% ao ano. Isso mostra que ainda há muito a ser feito nos portos”, observa Eduardo Souza. Atualmente, a Aleff trabalha com o TMS – Transportation Management System, sistema que permite visão antecipada de cada transporte, processo e ordem de serviço dentro de um terminal, incluindo até lavagem de contêineres. A idéia é dar uma noção de quanto o terminal poderá cobrar do seu cliente antes mesmo dele realizar a operação. Além da necessidade de investimentos em TI, algumas exigências têm impulsionado investimentos em tecnologia da informação nos portos, como o ISPS Code, da International Maritime Organization (IMO). A obrigatoriedade vai contribuir para o aumento do nível de informatização nos terminais e, portanto, movimentar o mercado de fornecimento de soluções em informática. “Acreditamos no potencial desse mercado. O crescimento do comércio exterior demanda investimentos em novos terminais, que estão nascendo com essa preocupação. Hoje, as empresas têm a tecnologia da informação como premissa em todos os investimentos”, acrescenta o diretor da Arcadian, que atua no setor desde 1997. Segundo Cançado, atualmente, 20% da movimentação de granéis sólidos em terminais brasileiros operam com algum sistema da Arcadian. A empresa oferece os sistemas Portos, Targa e Previne, que juntos controlam todos os serviços prestados pelo terminal, disponibilizam os documentos eletronicamente e fazem interface com os sistemas legais. Desafios. Embora os portos tenham a movimentação de cargas como atividade comum, o mercado de TI no setor ainda está concentrado no setor privado, que demandam soluções cada vez mais customizadas, desenhadas de acordo com as especificidades de suas operações. Por isso, Emerson Cançado acredita que há mercado para todos. “Existem muitas empresas de informática e muitos potenciais clientes, mas a concorrência está equilibrada. O segredo é desenvolver projetos junto com o cliente”, argumenta o diretor da Arcadian. A afirmação de Cançado é quase uma máxima entre os diretores das empresas. O diretor de planejamento da Aleff explica que no mercado de sistemas para terminais portuários o produto tem que ser desenvolvido em conjunto com o cliente, pois cada carga, cada movimentação tem sua peculiaridade. “Costumamos dizer que fazemos o projeto e o software vai de brinde”, brinca Eduardo Souza, acrescentando que soluções prontas como o SAP, por exemplo, são eficazes nas indústrias, mas não atendem às necessidades do setor de portos e armazenagem. Engenheiro de computação responsável pelo desenvolvimento do PCS.net – Port Control System, da PortControl, Paulo Renato Alves, reforça as afirmações de Cançado e Souza e vai além. O técnico explica que existem muitos sistemas no mercado, mas cada um tem uma finalidade. Alguns tratam apenas de segurança, outros de controle de acesso de pessoas, há os que atendem apenas ao ISPS Code, etc. O grande desafio, propõe Renato, é a integração entre os sistemas. “A troca de documentos deveria se dar sempre eletronicamente, mas ainda não existe esse controle em todos os portos. Assim, não é fácil relacionar os sistemas a todas as instituições envolvidas no porto, o que está, inclusive, previsto no ISPS Code. Hoje, cada instituição tem seu próprio sistema e não há sincronia entre as informações. É comum um órgão liberar uma carga e outro interditar”, salienta Paulo Renato. A afirmação do engenheiro é outro aspecto comum à análise das empresas da área de tecnologia da informação. João Eduardo, da Logocenter, afirma que é preciso envolver as autoridades nos projetos. Não é à toa que todos os programas desenvolvidos pela Arcadian, Logocenter, PortControl, Aleff e Navsoft têm as interfaces legais necessárias para o envio de informações exigidas pelas autoridades, principalmente a Receita Federal, instituição mais avançada tecnologicamente entre as autoridades presentes nos portos. “O problema é que nem todos os órgãos têm sistemas”, frisa Mauro Marder, superintendente do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), que embora tenha obtido resultados positivos com seus sistemas ainda sofre com a falta de integração eletrônica com as autoridades. “O ideal é que houvesse um sistema único de informação, que eliminaria etapas, papel e retrabalhos”, complementa Marder, para quem o Sisportos representará um avanço, mas não vai descartar a necessidade dos terminais investirem em seus próprios sistemas operacionais. O diretor do Departamento de Transportes Aquaviários do Ministério dos Transportes informa que a integração entre autoridades e operadores portuários está previsto na fase seguinte à implementação do Sisportos. Para oferecer algo exclusivamente voltado para a integração, a PortControl desenvolveu o PSC.Net, sistema baseado no padrão de internet que suporta todos os demais programas do mercado (compatíveis com web), inclusive o Vessel Traffic System (VTS) e o AIS (Automatic Identification System). O software, de acordo com Paulo Renato, gera soluções ótimas e permite visualização dos controles por todos os agentes envolvidos nas operações. O sistema também faz simulações, pois recebe as informações no servidor e compara o que é esperado com o que está sendo feito. Certificado pela Microsoft, o PSC.Net não substitui os demais softwares existentes, apenas os integra. De acordo com Paulo Renato, o produto começou a ser desenvolvido há cinco anos, foi testado no porto de Salvador e agora está pronto para ser comercializado. Entretanto, o sistema será oferecido gratuitamente para as companhias docas, Capitania dos Portos e agências marítimas. O objetivo da agressiva estratégia comercial é inibir a concorrência e atrair clientes privados. Comprovação. O depoimento dos terminais que investiram em tecnologia comprova os benefícios gerados pelos sistemas de gerenciamento operacional. Segundo Mauro Marder, as informações geradas pelo sistema aceleram a tomada de decisões, que pode ser feita de forma mais precisa. A cada entrada de carga o sistema gera um plano de posicionamento na retroárea, de forma a otimizar o processo, definindo plano de estiva, altura ótima para os contêineres, etc. As projeções para os eventos seguintes aumentam a produtividade e alimentam o planejamento anual feito pelo Terminal de Contêineres de Barcelona, sócio do TCP. Com as análises dos indicadores resultantes é possível até planejar investimentos. Isso porque, de acordo com o superintendente do TCP, os dados coletados oferecem uma simulação dos anos posteriores. Com os dados gerados pelo sistema é possível compor uma média anual a partir da projeção de cargas sazonais, de performance dos equipamentos, da utilização dos espaços, recursos materiais e humanos, etc. “Tudo é resultado do acompanhamento feito no dia-a-dia. A idéia é sempre ter a melhor utilização possível da retroárea, pois não adianta movimentar 50 contêineres por hora se a retroárea não está sendo bem gerenciada”, receita Marder. O sistema implantado no TCP é uma adaptação do programa utilizado pelo terminal sócio em Barcelona e tem três etapas de inserção de informações: entrada e saída dos portões; conferência a partir da comparação com lista de carga enviada pelo armador e pré-estivagem, entre outros. “Cada controle gera um mundo de informações e dados, tanto de performance, como de desempenho dos equipamentos, planos de equipe, de carga, produtividade, etc.”, completa o superintendente do TCP. O Tecon Rio Grande também investiu fortemente em hardware e software. Em 1998, implementou um sistema moderno de planejamento de pátio/navio denominado Sparcs, da empresa norte-americana Navis. No ano seguinte, implantou o Sistema de Controle Operacional e Logístico (Scol), sistema que juntamente com o Sparcs/Navis suporta todas as atividades operacionais da empresa. O investimento agregou valor aos serviços prestados pelo terminal, que disponibiliza para seus clientes um site business-to-business que é permanentemente alimentado com as informações do Scol de forma segura e rápida. Antes do Scol, o terminal operava com uma série de sistemas menores que faziam interface com a operação, criando gargalos no fluxo da informação. A redução de custo veio com a operação em tempo real ponta-a-ponta em todo o processo desde a operação efetiva do contêiner até a informação para o faturamento. O sistema também viabilizou a publicação de relatórios dinâmicos na internet, o que reduziu custos de comunicação tanto para o Tecon quanto para o cliente. Controle no mar. Além dos sistemas de gerenciamento nos portos, existem os sistemas de controle do tráfego marítimo. Nessa área, o Brasil não está atrás dos países desenvolvidos. As praticagens brasileiras foram as primeiras entidades a investir no acompanhamento automatizado do tráfego com o uso do AIS (Automatic Identification System). Este equipamento, obrigatório para a maioria dos navios, principalmente os que navegam no tráfego internacional, tem se mostrado mais eficiente e econômico que o radar, embora não o substitua. O radar ainda é a principal ferramenta para atendimento ao ISPS Code. O AIS pode ser integrado ao sistema VTS (Vessel Traffic Service), utilizado em vários portos para monitoramento da movimentação de navios. Representante da Transas Marine USA, Seatex e McMurdo no Brasil, a Navsoft precisou conscientizar o mercado sobre a importância do AIS. “O início foi muito difícil. Precisávamos informar ao mercado qual a utilidade do AIS para que houvesse a disposição para o investimento. Ninguém compra o que não conhece. O custo das soluções integradas é muito menor do que os “pacotes” atualmente oferecidos por um único fabricante. Foi com esta visão que ingressamos no mercado: oferecendo o melhor produto pelo menor preço”, conta Marcos Silveira, diretor da empresa. A primeira praticagem a investir em uma solução com AIS foi a de Paranaguá. A reboque vieram Santos (SP), Vitória (ES), Rio Grande (RG), Belém (PA), São Luis (MA), Salvador (BA), Fortaleza (CE), São Francisco do Sul (SC) e Maceió (AL). Todas buscando a precisão das informações para redução do custo operacional. Quando uma embarcação informa sua “previsão de chegada” em determinado porto, diversos serviços estão envolvidos em seu atendimento, como rebocadores, estiva, fornecedores, etc. “Saber o horário exato de chegada reduz o custo da espera”, acrescenta o diretor da Navsoft, que também comercializa o VTS. Expoportos Evento comemora resultados. AExpoportos 2006 obteve resultados positivos em sua terceira edição. Durante os três dias do evento, os setores logístico e de comércio exterior estiveram presentes no Pavilhão de Carapina, na Serra (ES). Segundo os organizadores os resultados superaram os anos anteriores. Empresários e profissionais de várias partes do país apresentaram soluções operacionais, financeiras, tributárias e fiscais, além das melhores práticas de gestão de comércio e logística internacional, durante as palestras realizadas paralelamente à feira. Na solenidade de abertura, o governador Paulo Hartung lançou oficialmente o Selo Comemorativo aos 100 anos do porto de Vitória. Dentre as autoridades presentes estavam, entre outros, o ministro do Supremo Tribunal Trabalhista Federal, Gelson de Azevedo; o prefeito de Vitória, João Coser; e o presidente da Companhia Docas do Estado do Espírito Santo (Codesa), Henrique Germano Zimmer. No último dia do evento, uma mesa redonda formada por representantes da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Espírito Santo (Transcares) e da Associação das Empresas de Comércio Internacional (Aeci) fecharam o ciclo de palestras da Feira. Durante a apresentação, os representantes dos diversos modais logísticos do Espírito Santo fizeram um balanço do evento e debateram o tema “A macrologística capixaba no contexto do plano de desenvolvimento do Espírito Santo 2025 – Uma visão de conjunto”. A Feira foi realizada pela Rota Eventos em parceria com a Codesa e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur). Por Portos e Navios 01/09/06

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